Há apenas 3 anos, o sinônimo de jogos de tiro era Call of Duty 4. Gráficos arrasadores, jogabilidade fluente a 60 quadros por segundo, história e personagens cativantes e cinematográficos, e um multiplayer infinito e de muito respeito. Milhares de pessoas comprar um console da geração atual por causa desse jogo. A revolução e o reinado da saga estavam postos na mesa, sem um adversário a altura.
Algum tempo depois, trailers arrebatadores de uma nova franquia e, de certa forma, renascimento da franquia Battlefield, foram divulgados. Construções ruindo, mapas gigantescos, e o melhor, veículos. O jogo não cumpriu o que prometeu, mas deu novos ares para a área de firt person shooters, até então estagnadas por partidas infindáveis de Modern Warfare. Ao mesmo tempo, a Treyarch nos presenteia com World at War. Single player fantástico, multiplayer repetitivo. Sinais de cansaço do tema – Segunda Guerra – e do sistema de jogo.
A Infinity Ward então resolve jogar pesado, e prepara seu maior lançamento já visto até então. Trailers, expectativas, filas, pre vendas batendo recordes. Esse era Modern Warfare 2. Revolucionário, com opções diferentes de jogo e muito a entregar para os devotados fãs dos jogos de tiro. Mas dessa vez, a DICE veio com Bad Company 2, um jogo maduro, bem resolvido e com uma jogabilidade e estratégia diferentes do que víamos na série adversária. Já não se trata apenas de correr e atirar. Formar pequenos esquadrões, flanquear, uso de veículos, atacar e recuar nas horas certas. Foi perceptível a quantidade de pessoas migrando de uma série para a outra.
No ano seguinte, tivemos Black Ops. Um jogo sem sentido, que não precisava existir. Multiplayer falho, com muito lag. Acabamento sofrível, som mal feito. O que se salva nesse game são os modos Zombie e a história do Single Player, com uma trama a la Clube da Luta. Sinais de cansaço e declínio são percebidos novamente, e a maioria dos jogadores migram de volta para Modern Warfare 2 (mesmo com uma quantidade exagerada de cheaters) ou Bad Company 2. Antes que me pergunte, caro amigo leitor, cito as duas franquias porque, mesmo que sejamos fãs, Halo e Killzone não as ameaçaram nem em número de vendas nem em número de jogadores.
Chegamos em 2011. A DICE resolve de vez jogar o mundo dos games de perna pro ar, fecham as portas em Estocolmo e criam a novíssima engine Frostbite 2. Gráficos foto realistas, jogabilidade fluída, design de som premiado com BAFTA e tudo o mais que tem direito. Modern Warfare 3 se mostra tímido. Um Teaser aqui, outro acolá, e temos mais do mesmo. Soldados correndo e atirando, correndo um pouco mais e atirando um pouco mais. Será que é isso que ainda queremos jogar?
O que há de importante para atentarmos aqui, caros senhores, é a maturidade dos gamers. Crescemos junto com eles, desenvolvemos o senso crítico junto com eles, e para isso, é necessário que os games, em especial as Franquias, se movam, saiam do lugar comum, do seu ponto confortável, e façam algo que mude a forma com que jogamos para melhor. Não me refiro a caça níqueis como controles por movimento e coisas do gênero. Mas em um jogo sair da mesmice e crescer. Foi o que aconteceu com Battlefield, e não está acontecendo com Call of Duty.
Testei o Alfa no PC e o Beta no PS3 durante toda a semana que foi disponibilizado. É impressionante o ritmo de jogo que a série emplacou. Estratégia para esquadrões e acessórios de armas (laser dot!). Gráficos e efeitos de luz absurdamente geniais, saindo do efeito isopor dos Bad Companies. E teve gente que reclamou. Calma, amigos. O código do Beta era de 3 meses atrás, e serviu apenas para fazer um Stress-Test nos servidores da EA, pra ver se não haverão problemas no lançamento, visto o enorme número de pre vendas – até agora, 1.25 milhões, e subindo.
Qual foi a resposta de Modern Warfare pra tudo isso? Mais um trailer, com mais pessoas correndo e atirando. Não que isso seja ruim, mas, acho que poderiam ter inovado um pouco no estilo de jogo. Não alterar de forma a descaracteriza-lo, pois gostamos de Call of Duty apenas por ser Call of Duty. Simples, divertido e rápido. É o plug and play dos jogos de videogame. E é aí que Battlefield 3 vai ser melhor, e se firmar definitivamente como conceito para jogos de tiro. Ele foi além. É um jogo que é preciso usar a inteligência. Usar estratégia com a equipe. Saber o que cada armamento faz, e como faz. Saber utilizar veículos. Tudo embalado em um dos gráficos mais bonitos que já vi em consoles, mesmo com a resolução notavelmente mais baixa que no PC. Battlefield mostra como amadureceu e passou a exigir mais do que um simples run n’ gun, para se divertir. E isso é compatível com o amadurecimento dos jogadores, no geral. No vídeo abaixo, vocês podem conferir o gameplay no PS3 em um código do jogo mais novo, com comentários do produtor.
Prevejo um fim de ano sensacional para nós. Se tudo der certo, terei os dois games aqui em casa. Mas só tem espaço para um no PS3. Qual será?
E para aqueles que falam que Call of Duty é melhor porque vende mais, deixo a seguinte reflexão. Um Fiat Uno vende infinitamente mais do que uma Lamborghini, e nem por isso é melhor.
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